segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Das descrições

às vezes, muitas vezes, sinto-me impedido de escrever sobre sentimentos. a língua portuguesa, aquela de que me sirvo para me expressar, disponibiliza-me um conjunto finito de caracteres, de cujas combinações surgem construções e possibilidades infinitas. todavia, quão inefáveis são alguns momentos em que me encontro extático. por exemplo, posso simplesmente descrever o momento mais singular da minha vida assim: eu voltava para casa, há uns 12 anos atrás, vindo de nova iguaçu, e vi uma figura que me deixou completamente encantado. naquele instante, eu senti o tempo parar, perdi a noção do momento e do espaço. não sabia de onde e para onde ia. não sabia o que falar nem o que ouvia. detive-me, livre de sentidos e percepções exatas. um abismo mostrava-se a mim. entretanto não me lancei. e até hoje não tive coragem para o pulo. é impossível, através desta cena, perceber tudo que senti, toda comoção que me envolveu de lá até agora. o que percebi, meio tarde, foi a influência deste acontecimento na minha dificuldade com relacões afetivas. ela existe há anos, e só agora notei.

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1 palpite(s):

Prof. Junior disse...

Vê-se que a coisa das sentimentalidades tem fluído mais...LEGAL, muito legal!